Notícias

  • Mar

    08

    2021

O DIA (DE LUTA) INTERNACIONAL DA MULHER

O Dia Internacional da Mulher, oficializado pelas Organizações das Nações Unidas (ONU) em 1977, carrega em si inúmeras lutas das mulheres ao longo do tempo. O fato mais emblemático e conhecido, que ilustra o surgimento desta data, se trata do incêndio em uma fábrica têxtil de Nova York em 1911, onde cerca de 130 operárias, que reivindicavam melhores condições de trabalho foram mortas carbonizadas. No Brasil, a luta em prol dos direitos da mulher ganhou força com o movimento das sufragistas, nas décadas de 1920 e 30, e principalmente com a primeira conquista do direito ao voto na Constituição de 1934.

Esse dia tem importância histórica, porque levanta um problema que não foi resolvido até hoje: a desigualdade de gênero. Podemos observar que as condições de trabalho são piores para as mulheres, ganhamos em média 20,5% a menos que os homens (IBGE). 70% da população mundial que passa fome, são mulheres (ONU).  E quando falamos de outras formas de violência, os dados são ainda piores. O feminicídio, que se trata do homicídio contra mulher em razão do seu gênero, ou seja, quando a mulher é morta apenas por ser mulher, acontece diariamente. 13 mulheres são mortas por dia no Brasil (IPEA), e em sua maioria são mulheres negras. A cada 11 minutos uma menina ou mulher é vítima de violência sexual (UNIFESP).

8 de março, para além de uma data comemorativa, é um momento de mobilização de todas e todos em direção à luta pela conquista de direitos e igualdade de gênero. É dia de fortalecermos o combate às discriminações e todas as formas e expressões de violência física, moral, psicológica, patrimonial, sexual e política contra a mulher. Fiquemos em alerta, pois novas manifestações de discriminação contra as mulheres surgem regularmente em diferentes espaços.

A igualdade entre mulheres e homens é construída a partir do momento que tomamos posição contra o machismo, conceito que traduz a opressão, em suas mais diversas formas, feitas pelos homens contra as mulheres. As estratégias para enfrentar esse desafio e vir a superá-lo requer além de constantes reflexões, a mobilização da sociedade, o apoio mútuo entre mulheres, a formação de lideranças, e a participação social na formulação de políticas públicas nas áreas de educação, saúde, assistência social, cultura e segurança, de forma que atendam as reais necessidades das mulheres, criando possibilidades de ser protagonistas de sua própria história.

Muitos ainda são os caminhos a percorrer. Para hoje, proponho um reencontro com todas as mulheres que nos inspiram a lutar. Carolina Maria de Jesus, Marie Curie, Lélia Gonzalez, Maria da Penha, Nísia Floresta e tantas outras que você conhece. Mas principalmente, reencontremos aquelas de nossa família, que lutaram dia a dia, no silêncio, em anonimato. Mulheres como Maria José, minha bisávo, que foi parteira, ou Minervinda, minha avó, que viúva, criou os filhos sozinha, trabalhando 7 dias por semana, ou ainda Maria de Fátima, minha mãe, que lutou bravamente e me deixou sua maior herança: a coragem. Meditemos nas histórias e conquistas das mulheres que nos antecederam, mas sobretudo, reconhecemos as batalhas que ainda precisam ser travadas por nós, as mulheres que hoje estão no front.

8 de março é um dia de luta.

 

Déborah Resende Alves, mulher, psicóloga do Centro de Referência Especializado de Assistência Social, mestranda em Planejamento e Análise de Políticas Públicas (UNESP), membra do Laboratório de Análise de Política (LAP) e voluntária da Câmara Técnica do Terceiro Setor (ACE Sacramento).